O mercado segurador brasileiro manteve trajetória de crescimento em 2025 e alcançou R$ 313,3 bilhões em receitas nos produtos de risco, avanço de 8% em relação ao ano anterior. Os dados fazem parte do estudo “Ranking das Seguradoras 2025”, elaborado pelo Sincor-SP, considerado uma das principais referências do setor.
O levantamento mostra um mercado cada vez mais concentrado nos grandes grupos seguradores, mas ainda marcado por forte dinamismo competitivo, crescimento de nichos especializados e expansão da cultura de proteção financeira no país.
Na liderança geral do ranking aparece o grupo Bradesco Seguros, com R$ 63,9 bilhões em receitas e participação de 20,4% do mercado. Na sequência vêm SulAmérica, com R$ 33 bilhões, e Porto Seguro, com R$ 30,9 bilhões.
O Top 10 do mercado segurador brasileiro em 2025 ficou assim:
Bradesco Seguros
SulAmérica
Porto Seguro
BB Seguros
Zurich Santander Seguros
HDI Seguros / Yelum
Tokio Marine Seguradora
Allianz Seguros
Mapfre Seguros
Caixa Seguridade
Seguro saúde acelera e lidera crescimento entre grandes segmentos
Entre os principais ramos, o destaque ficou para o seguro saúde, que movimentou R$ 87,1 bilhões em 2025, crescimento de 10% sobre o ano anterior. O segmento segue dominado por Bradesco Saúde e SulAmérica Saúde, que juntas concentram mais de 82% do mercado analisado.
O seguro de pessoas também avançou com força, atingindo R$ 80,3 bilhões em receitas, alta de 8%. Nesse segmento, além do domínio do Bradesco, chamou atenção a consolidação da Prudential do Brasil entre as líderes nacionais.
Já o ramo de riscos financeiros registrou uma das maiores expansões proporcionais do ano, crescendo 19% e alcançando R$ 10,5 bilhões. O avanço reflete o aumento da demanda por garantias, seguros de crédito e proteção em operações corporativas.
Porto Seguro mantém hegemonia no seguro automóvel
No segmento automóvel, um dos mais tradicionais do mercado brasileiro, a liderança segue com a Porto Seguro, responsável por 26,2% do setor, com receitas de R$ 16,1 bilhões.
Na sequência aparecem HDI Seguros/Yelum, Tokio Marine Seguradora e Allianz Seguros, evidenciando uma disputa cada vez mais intensa por inovação, digitalização e experiência do cliente.
O faturamento do seguro auto chegou a R$ 61,5 bilhões em 2025, crescimento de 7% sobre 2024.
Seguro rural recua em meio à redução de incentivos
Na contramão do crescimento geral, o seguro rural apresentou retração de 9%, encerrando o ano com R$ 12,9 bilhões em receitas. Segundo a análise econômica do estudo, a queda está relacionada principalmente à redução de incentivos públicos ao setor.
Mesmo com a retração, o BB Seguros manteve ampla liderança, concentrando mais de 62% do mercado rural brasileiro.
VGBL despenca e puxa queda do mercado ampliado
Embora os seguros de risco tenham crescido, o levantamento mostra que o mercado ampliado de seguros e previdência sofreu impacto relevante da queda do VGBL. O produto teve retração de 22%, passando de R$ 178,2 bilhões para R$ 139,3 bilhões.
De acordo com a análise do estudo, a mudança tributária e o cenário de juros elevados influenciaram diretamente o comportamento dos investidores e consumidores.
Mesmo assim, o setor mantém perspectiva positiva. O estudo aponta aumento da produtividade operacional das seguradoras, maior conscientização da população sobre proteção financeira e expansão da presença dos seguros em diferentes áreas da economia brasileira.
O mercado de seguros brasileiro parece viver uma espécie de “metamorfose silenciosa”: menos invisível, mais estratégico. Um setor que antes habitava apenas contratos e apólices agora ocupa também o centro das discussões sobre patrimônio, saúde, crédito, mobilidade e estabilidade financeira.
Para Luis Fernando di Marzio, COO da Corretou, o avanço do mercado segurador em 2025 mostra uma mudança importante no comportamento do consumidor brasileiro e na própria maturidade do setor.
“O seguro deixou de ser visto apenas como um produto de proteção patrimonial e passou a ocupar um espaço mais estratégico na vida das pessoas e das empresas. O crescimento consistente em segmentos como saúde, pessoas e riscos financeiros mostra um consumidor mais consciente sobre vulnerabilidade, planejamento e continuidade financeira”, afirma.
Segundo o executivo, o mercado vive uma transformação impulsionada por tecnologia, dados e novas experiências digitais. “As seguradoras que crescem hoje são aquelas que conseguem unir solidez financeira com conveniência, inteligência operacional e relacionamento próximo. O cliente quer contratação simples, atendimento rápido e proteção personalizada. Isso está redefinindo a competição no setor.”
Di Marzio também destaca que o crescimento de novas seguradoras e insurtechs amplia a competitividade e acelera a inovação. “O ranking mostra um mercado ainda concentrado, mas cada vez mais aberto para modelos especializados, digitais e nichados. Isso é saudável para o ecossistema e cria oportunidades importantes para corretores, plataformas e distribuidores.”
Para ele, o cenário para os próximos anos permanece positivo, apesar dos desafios econômicos. “Mesmo com juros elevados e oscilações em alguns segmentos, o mercado segurador brasileiro ainda possui enorme espaço de expansão. A tendência é que o seguro se torne cada vez mais integrado ao cotidiano das pessoas, quase como uma infraestrutura invisível de proteção financeira da sociedade.”